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Vale a pena participar do The Best Speaker Brasil? Sim, desde que você entenda o jogo

  • Foto do escritor: Gustavo Amaral
    Gustavo Amaral
  • 15 de nov. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: 20 de nov. de 2025


Minha experiência no TBS

Nos últimos meses participei do The Best Speaker Brasil. Depois de anos longe de qualquer competição, entrei por curiosidade e respeito pela iniciativa. Passei pelas primeiras etapas, cheguei até a terceira fase — e aqui vai a parte que precisa ser dita com honestidade:


Não existe a menor possibilidade de um reality show encontrar “o melhor palestrante do Brasil”.E isso não é culpa do reality — é culpa da promessa.

O Brasil tem milhares de profissionais sérios, treinadores, professores, comunicadores e especialistas. Achar “o melhor” é tão improvável quanto descobrir “o melhor médico”, “a melhor professora” ou “o melhor advogado” em um vídeo de 3 a 10 minutos.


É uma promessa impossível.


Primeiras fases: o início do jogo

A primeira fase combinava votação “popular” com escolha técnica da equipe da PSA. Mobilizei votos na faculdade e garanti minha entrada entre os 270 classificados. O curioso é que, em muitas regiões, bastava uma quantidade relativamente baixa de votos — bem menor do que se vê em outros realities.


No fim, me arrependi de ter dedicado uma semana inteira à campanha: percebi que havíamos passado muito além do necessário.


Quando os 270 selecionados foram divulgados, ficou evidente algo que qualquer profissional experiente em oratória perceberia rapidamente: a média geral era de iniciantes.


A fase técnica: melhora natural, irregularidade evidente

Na etapa seguinte, focada na avaliação técnica, houve uma melhora natural entre os 100 remanescentes. Ainda assim, a variação permanecia grande. A técnica mudava bastante de um participante para outro, a construção de narrativa era inconsistente em vários casos e a qualidade geral oscilava de forma significativa.


Depois, na seleção para os 20 semifinalistas, eu não avancei. E, sinceramente, considero que meu discurso estava sólido, autêntico e genuíno. Mas elogio próprio não vale — por isso deixo minha palestra abaixo para que cada um julgue se há ou não mérito.



O nível técnico irregular não invalida o reality. Apenas deixa claro o foco real do formato: não premiar excelência técnica, mas construir um produto comercial, narrativo, televisivo e editorial.


E isso é ruim? Pelo contrário.

Se o objetivo fosse criar um concurso técnico de oratória, o programa provavelmente não teria apelo de massa nem sustentaria um formato de show. Para crescer, um reality precisa criar identificação — especialmente entre pessoas que não são palestrantes e que passam a acreditar que também podem ocupar aquele palco.


Essa é a força do TBS e essa é, também, a lógica por trás de qualquer reality de sucesso.

“Mas os 20 finalistas não foram os melhores”

Provavelmente não. Ou alguns sim e outros não.E isso acontece em todo reality do mundo:

  • MasterChef

  • The Voice

  • Big Brother

  • Shark Tank

  • X-Factor


Por quê?


Porque um reality não escolhe apenas técnica. Ele escolhe:

  • diversidade,

  • narrativa,

  • personalidade,

  • carisma,

  • história,

  • alinhamento com a marca.


Se você fosse a empresa dona do reality, faria diferente?


O caso polêmico: o participante do vídeo genérico

Nos grupos não oficiais, o comentário era sempre o mesmo:

“Como esse participante passou para os 20 semifinalistas falando um discurso básico sobre os 3 pilares da oratória?”

E mais:

“No final do vídeo aparece até o dono da empresa organizadora elogiando ele.”

O vídeo era de um treinamento anterior da própria empresa, não algo criado para o concurso.Tecnicamente, isso faz sentido? Não.Mas estrategicamente, faz.


Se o reality reprova um participante formado nos cursos da própria empresa, surge o comentário:

“Então não adianta fazer o curso para ser bom?”

Se aprova, surge o oposto:

“Ah, passou porque já era da casa!”

Ambas as críticas acontecem.


Mas, na prática, uma delas é menos nociva que a outra.


No fim das contas:

realidades escolhem histórias — não matemáticas.e essas histórias precisam estar alinhadas com seus próprios interesses.

Aproveite essa informação: suas chances podem aumentar ao criar um bom relacionamento com a marca.Não é garantia de nada, mas é um fator positivo — afinal, nas primeiras fases, a equipe avaliadora terá visto seu trabalho e terá uma referência sobre você.


O contrário também vale: se o desempenho for ruim, essa percepção inicial pode pesar negativamente.


O prêmio de “1 milhão”: o que ele é — e o que ele não é

Outro ponto que gerou discussão foi o famoso prêmio de 1 milhão.E, para ser justo, o regulamento não esconde nada — ele só precisa ser lido com atenção.

O vencedor não recebe 1 milhão em dinheiro. Ele recebe:


1. R$ 500 mil em dinheiro vivo

Depositados diretamente. A única parte líquida.


2. R$ 500 mil em consultorias, mentorias e serviços internos

Posicionamento, storytelling, estratégia, vendas — um pacote de aceleração.Pode ser extremamente valioso para alguns, irrelevante para outros.


3. A contrapartida obrigatória: 50 palestras gratuitas

O vencedor precisa realizar 50 palestras pró-bono, sem nenhuma remuneração, para clientes da PSA, em até 24 meses — disponibilizando as datas conforme a empresa solicita.

Isso transforma parte do “prêmio” em trabalho obrigatório, trabalho que no mercado possui valor real.


Se um palestrante cobra:

  • R$ 10 mil → 50 palestras = R$ 500 mil

  • R$ 8 mil → R$ 400 mil

  • R$ 5 mil → R$ 250 mil


A matemática é clara:

o vencedor recebe R$ 500 mil, mas entrega um volume de apresentações gratuitas que, no mercado, pode equivaler ao mesmo valor ou mais.

Isso não significa que o prêmio é ruim.Significa que ele é um modelo de negócios, não um simples cheque.


O pacote é honesto — desde que você saiba o que está aceitando

O prêmio combina:

  • dinheiro real,

  • serviços estratégicos,

  • trabalho obrigatório,

  • construção de vitrine para o vencedor.


É um modelo que faz sentido para a empresa e pode fazer sentido para muitos palestrantes — mas não é um prêmio tradicional.


Eu, por exemplo, provavelmente não poderia aceitar devido aos compromissos com a Bespeak.


A final é a etapa mais transparente

Na etapa final, as apresentações acontecem ao vivo diante de um corpo de jurados convidados.É quando tudo se torna mais claro: conseguimos observar as falas, o nível de entrega, a postura, o impacto — e avaliar se as escolhas fazem sentido.


Cada jurado tem seu repertório, seu olhar e suas preferências, mas todos analisam critérios essenciais e visíveis.


Dentro do formato, é a decisão mais próxima de uma avaliação justa que o reality pode oferecer.


Então o TBS é ruim?

Pelo contrário.


O TBS é um projeto ousado, bem estruturado e inovador. Colocou a oratória no debate nacional — algo que ninguém havia feito nessa escala.


Ele abre portas. Revela talentos. Cria visibilidade. Forma comunidade.


É ótimo — como reality.

A parte que ninguém quer ouvir

Se você quer uma competição 100% justa, técnica e meritocrática, terá que criar a sua própria. E, honestamente, provavelmente não dará certo — formatos rígidos não funcionam como entretenimento.


Num reality, a regra é simples:

  • prepare-se,

  • faça o melhor,

  • aceite o jogo,

  • e siga em frente sem chorar.


O melhor técnico nem sempre avança. O mais carismático às vezes passa. E a vida real é igual.


Vale a pena participar?

Sim. É organizado, divertido, gera contato, experiência e visibilidade.


Mas só vale a pena se você entrar sabendo o que o programa realmente é: um reality de entretenimento com elementos técnicos — não um concurso para encontrar “o melhor palestrante do Brasil”.


Conclusão: a regra mais honesta

Se não gostou do formato, crie o seu próprio reality. Mas esteja preparado para enfrentar exatamente as mesmas críticas.

 
 
 

1 comentário


NCIO udep
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18 de jan.

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